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RESUMOS - VI JORNADA

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CONFERÊNCIA DE ABERTURA

Entre história, cinema e estilo: perspectivas para as formas artísticas

 

Palestrante: Alexandre Rafael Garcia

A palestra aborda a relação entre história, cinema e estilo a partir de um percurso de pesquisa dedicado ao estudo das formas cinematográficas. Serão apresentados, de modo geral, alguns caminhos para pensar o cinema como objeto histórico e artístico, considerando a noção de estilo como eixo de análise. A fala retoma aspectos da tese de doutorado do autor e propõe uma aproximação entre pesquisa em história e pesquisa em artes, com ênfase em procedimentos de análise comparativa e no mapeamento de recorrências formais. A exposição delineia um campo de reflexão que articula análise e perspectiva histórica por meio de aproximações que, ao relacionar obras e contextos distintos, configuram redes de recorrências estilísticas.

Doutor em História pela UFPR, linha Arte, Memória e Narrativa (2022). Professor na Unespar, cursos Bacharelado em Cinema e Audiovisual; Programa de Pós-Graduação em Cinema e Artes do Vídeo (PPG-CINEAV)

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MESA 1: Arte, memória e territórios

 

AmarElo: o disco de Emicida como tudo o que ainda pode ser

 

Comunicação: Vinicius Ferreira

A presente comunicação busca debater as transformações do Rap Nacional nas últimas décadas em relação aos seus discursos e formatos estéticos através da obra síntese destas mudanças: o disco AmarElo de Emicida de 2019 (fonte principal deste trabalho). Seguindo o referencial teórico de Alessandra Simões Paiva, A Virada Decolonial na Arte Brasileira, procura-se entender o reposicionamento de sujeitos e poéticas contemplados pelos discursos da cultura hip hop, bem como, situar o aceleramento de tais transformações na última década, apresentando parte do processo histórico de consolidação do rap como gênero musical em sua “eterna encruzilhada” entre velhas e novas escolas. Propõe-se pôr em perspectiva temas fundamentais do hip hop como classe e raça, mas também o advento de novas lutas de minorias que foram sendo incorporadas e a entrada de novos atores em cena. AmarElo sintetiza tudo isso, a pluralidade do Rap Nacional atualmente, o resgate da história e a possibilidade de recontá-la, a arte como tudo o que ela ainda pode ser... 

Mestrando em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), na linha Arte, Memória e Narrativa. Graduado em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Estuda História do Rap Nacional com foco nas transformações das últimas décadas através da obra do rapper Emicida e seu disco AmarElo (2019)

MUSICALIDADES, TRÂNSITOS E MEMÓRIAS:

as raízes do jazz em Santa Catarina (1920 - 1940)

Comunicação: Nicolau Clarindo

Esta pesquisa investiga a formação e circulação das práticas relacionadas ao jazz em Santa Catarina entre as décadas de 1920 e 1940. O estudo busca compreender como diferentes processos de circulação cultural — especialmente os trânsitos marítimos e terrestres — contribuíram para a difusão de repertórios, práticas musicais e sociabilidades associadas ao jazz no estado. Partindo da perspectiva da história da música em diálogo com os estudos culturais, a história, sociologia da música, a musicologia e a etnomusicologia, a pesquisa procura evidenciar como essas musicalidades foram apropriadas e ressignificadas em contextos locais, contribuindo para a constituição de um panorama da música popular catarinense no período. Metodologicamente, o trabalho baseia-se na análise de diferentes conjuntos documentais, incluindo acervos físicos e digitais, periódicos, registros iconográficos e materiais disponíveis em plataformas digitais e redes sociais. A partir dessas fontes, pretende-se identificar agentes, espaços de performance, circuitos de circulação musical e processos de memória relacionados ao jazz. Ao discutir essas dinâmicas, a pesquisa busca ampliar a compreensão sobre a presença do jazz no Brasil para além dos grandes centros urbanos, destacando a contribuição de Santa Catarina para os processos de circulação e formação de repertórios da música popular no país.

Nicolau Clarindo é professor de música e história, violonista, doutorando em história, mestre em música e pesquisador da música popular catarinense, com ênfase nas jazz bands e nos trânsitos musicais no sul do Brasil.

Verbo azeviche:

possíveis caminhos da dramaturgia negra sul-brasileira contemporânea (2012-2024)

 

Comunicação: Carlos Canarin

 

O trabalho navega sobre as escrituras dramatúrgicas realizadas por autoras(es) negras(es) dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, dentro do contexto de aplicação e instauração da Lei n° 12.711/2012, que estipulou reserva de vagas (cotas) direcionadas à população negra, indígena e/ou quilombola em universidades públicas no Brasil. Em diálogo com autoras(es) como Eduardo Duarte (2010), Evani Lima (2010) e Marcos Alexandre (2017), a pesquisa em andamento visa mapear dramaturgias e seus processos criativos dados até o ano de 2024, percebendo como, em tais territorialidades, artistas da cena negras(os) articulam política e poeticamente sua militância. Entendo por dramaturgia de autoria negra as práticas de organização-proposição-provocação-convite da linguagem cênica a partir do texto, não se limitando somente ao discurso-palavra organizado de forma linear e encadeada, mas abraçando outros entendimentos expandidos como a formação de imagens, o diálogo com o público-espectador, o inacabamento, as intertextualidades e também gestos performativos, tendo como protagonista da ação criadora um corpo autodeclarado negro (aqui englobando os fenótipos preto e pardo), tendo também como principal endereçadoras, pessoas negras.

Dramaturgo, ator, professor e crítico de artes cênicas. Doutorando em História na Universidade Federal do Paraná e Mestre em Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Sua pesquisa se debruça sobre o teatro negro contemporâneo, especialmente na área da dramaturgia de autoria negra e seus delineamentos poéticos e políticos.

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MESA 2: Exposições, internacionalismos e disputas simbólicas 

Experiências radicais em Curitiba, a participação do Grupo Guerrilla Girls

na X Mostra da Gravura, em 1992

Comunicação: Simone Landal

A participação do coletivo artístico norte-americano Guerrilla Girls na X Mostra da Gravura de Curitiba, realizada em 1992, provocou curiosidade e repercussão. Em um evento originariamente dedicado à “gravura de arte”, a programação incluiu uma conferência com a presença de duas integrantes do grupo, que se apresentaram usando suas conhecidas máscaras de gorila. Esta comunicação aborda essa participação, que marcou a primeira incursão do grupo na América Latina. A partir da análise de documentos preservados em acervos públicos e privados da cidade, bem como de reportagens publicadas na imprensa, a pesquisa reconstrói aspectos dessa presença: do convite feito às artistas, às formas como o evento foi divulgado e recebido. Inseridos na programação sob a denominação de “experiências radicais”, os trabalhos das Guerrilla Girls dialogaram com outras propostas apresentadas na mostra, evidenciando tensões entre arte, política e instituições culturais. Ao examinar esse episódio, a apresentação também lança luz sobre o contexto cultural de Curitiba no início da década de 1990, período em que a cidade buscava afirmar uma imagem de modernidade e projeção no cenário artístico nacional.

Simone Landal é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná, mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná, possui especialização em História da Arte, pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e graduação em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Paraná. Professora Adjunta do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 

Arte Amazonas (1992) - Uma expedição artística

 

Comunicação: Jhon Erik Voese

A ECO-92, realizada entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro, trouxe uma série de eventos paralelos e complementares de caráter cultural. Entre esses, destaca-se a mostra Arte Amazonas (1992), que ocorreu de 5 de junho a 26 de julho no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, sob curadoria de Alfons Hüg. A exposição resultou de uma expedição artística realizada em fevereiro do mesmo ano, que contou com a participação de artistas de todo o mundo. Este trabalho visa discutir como as obras e poéticas dos artistas foram influenciadas pela temática ecológica. Em que medida a experiência na Amazônia e o contato com a realidade local impactaram seus processos criativos e as questões abordadas em suas obras? Como as preocupações ambientais, especialmente à luz das discussões da ECO-92, refletiram-se nas produções artísticas?

Jhon é nascido em Guarapuava, interior do Paraná, trabalhou no Museu Oscar Niemeyer - MON, em Curitiba - PR, como educador, produtor e curador por quase 10 anos. Formado em História com Mestrado em Artes pela Unespar, onde escreveu sobre o Faxinal das Artes (2002). Atualmente está finalizando o doutorado em História na UFPR.

Entre natureza e progresso:

a fotografia brasileira nas exposições universais do século XIX

 

Comunicação: Caroline Ivanski Langer

Este estudo analisa o papel da fotografia nas exposições nacionais e universais do século XIX, tomando como foco a produção do fotógrafo suíço Georges Leuzinger sobre o Rio de Janeiro. A pesquisa investiga como suas imagens foram mobilizadas na II Exposição Nacional de 1866 e na Exposição Universal de Paris de 1867, eventos que funcionavam como vitrines internacionais das nações modernas. Nessas arenas de visibilidade global, o Império brasileiro buscava construir uma narrativa visual capaz de afirmar seu lugar no concerto das nações civilizadas. A análise demonstra que as fotografias de paisagem de Leuzinger privilegiaram representações da natureza exuberante do Brasil, respondendo tanto às expectativas externas de exotismo quanto ao projeto interno de afirmar o potencial civilizatório do país. Quando circulam nesses espaços expositivos, as imagens atuaram como mediadoras entre a autoimagem imperial e os olhares estrangeiros, participando da construção simbólica do Brasil no cenário internacional. Dessa forma, argumenta-se que as fotografias apresentadas nas exposições universais devem extrapolar a compreensão de registros documentais, a fim de propiciar seu respectivo entendimento como agentes ativos na produção de narrativas visuais sobre modernidade, progresso e identidade nacional no século XIX.

Caroline Ivanski Langer é mestra em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (PPGHIS-UFPR) e graduada em História pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Pesquisa as exposições universais e a construção da autoimagem brasileira, com foco em representações da natureza e do urbano como expressão de progresso, especialmente na obra do fotógrafo suíço Georges Leuzinger.

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MESA 3: Experiências Culturais e

Políticas durante a Ditadura Civil-Militar

Chico Buarque nas coleções História da Música Popular Brasileira:
“O que não tem censura nem nunca terá” (1970 a 1982)"

Comunicação: Daniel Deverecki

Esta comunicação analisa comparativamente as três edições da coleção de fascículos História da Música Popular Brasileira, da Editora Abril Cultural, tomando Chico Buarque como perspectiva analítica. A problematização central parte da seguinte questão: como uma mesma coleção, em diferentes momentos da Ditadura Militar, ensina o público a “ler” um mesmo autor de modos distintos e o que isso revela sobre a própria escrita da história da música popular brasileira? O objetivo geral é examinar os deslocamentos de enquadramento da trajetória de Chico Buarque entre 1970 e 1982; como objetivos específicos, busca-se identificar os temas e episódios privilegiados em cada edição, observar de que maneira censura, exílio, violência política e engajamento são nomeados ou silenciados, e compreender como tais escolhas respondem ao contexto políticoeditorial de cada momento. A hipótese sustentada é que os fascículos não operam como registros neutros, mas como dispositivos ativos de mediação e canonização, organizando chaves de leitura históricas e públicas da canção. Metodologicamente, o estudo adota um cotejamento em três camadas: texto do fascículo, seleção temática e contexto editorial, colocados em diálogo com reportagens do Jornal do Brasil, mobilizadas como contracampo documental. O referencial teórico reúne contribuições de José Geraldo Vinci de Moraes sobre historiografia da música popular, Luisa Quarti Lamarão sobre mediações culturais na MPB, Marcos Napolitano sobre censura e vigilância política, Renato Ortiz sobre cultura e indústria cultural, além da periodização da Ditadura proposta por Adriano Codato. Conclui-se que, em 1970, sob o AI-5, a coleção estabiliza um Chico de consagração pública e desloca os conflitos para as margens; em 1977, no interior da distensão, a narrativa se reabre e passa a nomear censura, violência e autoexílio; e, em 1982, consolida-se uma memória pública de Chico Buarque como figura de oposição ao regime. Desse modo, a análise demonstra que as coleções da HMPB escrevem história ao ensinar o leitor a interpretar seus personagens segundo os limites e possibilidades de cada conjuntura.

“O que fazer do medo”: circuito cultural, censura e (re)montagem fílmica em Vozes do Medo (1968-1987)

Comunicação: Vinícius José Franqueto

O “filme-revista” Vozes do Medo (1972-1974) é uma obra experimental e coletiva pouco conhecida na história do cinema nacional. Com a idealização e articulação do cineasta paulista Roberto Santos, somada a direção de outros cineastas/artistas, ela apresenta uma série de curtas-metragens de diferentes linguagens. O que chama a atenção é a temática proposta: apresentar a revolta, o sarcasmo, a angústia e o medo da juventude urbana paulista dos anos 1960 e 1970. Nesse sentido, esta apresentação propõe pensar a historicidade do cinema, buscando refletir como o filme-revista possibilita instigar o seu contexto de produção. Partindo da percepção que o objeto fílmico é parte constituinte de seu contexto, a proposta transita entre a análise do que se vê em tela, do circuito cultural paulista à volta de seu idealizador, da universidade ao meio publicitário, e das incertezas causadas pelo processo de censura e proibição obra. Portanto, busca-se encontrar os vários sentidos do filme diante das intervenções políticas feitas em sua montagem, os quais se ressignificaram ao longo do tempo.

Vinícius Franqueto, pesquisador do Cinema Brasileiro. Doutorando e mestre em História pela Linha de Pesquisa Arte, Memória e Narrativa. Atualmente é professor no ensino básico e pesquisador. É Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Patrimônio Cultural - GEPPC e do Grupo NAVIS - Núcleo de Artes Visuais, da Universidade Estadual do Paraná.

Ditadura civil-militar na UFPR: adesões, acomodações e resistências

Comunicação: Luiz Gabriel da Silva

A ditadura civil-militar no Brasil constitui um tema recorrente na historiografia nacional. Entretanto, Curitiba raramente é mencionada quando se abordam episódios relacionados a períodos autoritários no país. Nesse sentido, a pesquisa desenvolvida no doutorado buscou não apenas analisar a ditadura civil-militar na capital paranaense, mas também compreender sua presença na Universidade Federal do Paraná. Para isso, adotou-se a classificação proposta por Rodrigo Patto Sá Motta em As universidades e o regime militar (2014), que distingue três posicionamentos diante do regime: adesões, acomodações e resistências. A partir dessas categorias, a investigação examinou as diferentes formas de atuação dos universitários durante o período de exceção. A hipótese inicial — confirmada ao longo da pesquisa — sustenta que, ao contrário do que é frequentemente apontado pela historiografia, não existia um movimento estudantil homogêneo, mas  movimentos estudantis, muitas vezes em oposição entre si. Essa constatação revela a complexidade das dinâmicas internas da classe discente frente às políticas implementadas pela ditadura, geralmente analisadas apenas pelo binômio repressão versus resistência.

Luiz Gabriel da Silva é doutor em História pela UFPR. Atua como professor no Centro Universitário Internacional Uninter. É presidente da ONG Em Ação, o pré vestibular gratuito  mais antigo de Curitiba. É Autor do livro "Ditadura em Curitiba?". Suas pesquisas versam sobre a ditadura civil-militar na capital paranaense. Em seu doutorado, pesquisou sobre a atuação dos estudantes da UFPR durante os 21 anos do regime. 

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MESA 4: Gênero e Moralidade em Fontes Impressas

Viúvas imoladas e mulheres canibais:

descrições do feminino por Jan Huygen van Linschoten (1596)

 

Comunicação: Vitória Kohler

Durante a época moderna, a literatura de viagem ajudou a cristalizar imaginários sobre o Outro, incorporando topos narrativos, imagens exotizantes, bárbaras e pagãs para representar a alteridade que habitava os espaços coloniais, em especial do Índico e do Atlântico. As mulheres indianas e indígenas tupinambá, embora separadas geograficamente e culturalmente, povoam lugares semelhantes no imaginário masculino europeu. Seus corpos, comportamentos sexuais e, em especial, os rituais e cerimônias que executam e participam são alvo das descrições dos autores europeus do final do século XVI. Um desses autores é o holandês Jan Huygen van Linschoten que descreveu o espaço indiano e também a costa do Atlântico em sua obra, imprimindo seus referenciais de civilização, religião e moral na população local e descreveu de forma detalhada rituais performados por seus habitantes, atrelando-os à barbárie e ao paganismo. De maneira comparativa, a pesquisa analisa as descrições sobre o ritual hindu de imolação de viúvas, o sati, e as cerimônias canibais praticadas por indígenas tupinambás, que apesar de muito distintas culturalmente possuem mulheres como protagonistas, que são instrumentalizadas nos discursos sobre a barbárie de povos colonizados. Assim, a comunicação procura compreender de que maneira o sati e o canibalismo veiculam antíteses ao ideal de civilização, ao cristianismo e principalmente aos ideais sobre o feminino construídos no imaginário europeu da modernidade. 

Licenciada e mestranda em História pela UFPR e pesquisa relatos de viagem na modernidade sobre o Índico e o Altântico a partir das questões de gênero e de topos literários, o ritual hindu sati e o canibalismo. Também é membro do GEAFRAS (Grupo de Estudos Afro-Asiáticos).
 

"Escribas, Gabirús e Canastrões":

as atrizes do teatro de revista em Vida Policial (RJ, 1925-1927)

 

Comunicação: Fabiane de Cezaro

A revista Vida Policial era um periódico carioca cujo conteúdo se voltava para o noticiário criminal, expondo tanto atos criminosos como artigos científicos e até mesmo histórias ficcionais, muitas delas, investigativas. Mesmo priorizando o universo do crime, a revista ainda abria seu escopo temático ao apontar situações da sociedade que, de alguma forma, suscitavam discussões morais, sobretudo, os que apresentavam o que a revista entendia como uma "moral duvidosa". Nesse aspecto, o teatro cômico ‒ principalmente o teatro de revista ‒ acaba virando tema na coluna “Escribas, Gabirús e Canastrões”, seção exclusiva de teatro em Vida Policial. Nela, eram discutidas as peças em cartaz em diversos teatros da cidade do Rio de Janeiro ao longo do ano de 1926. Destaca-se para esta apresentação na VI Jornada da Amena, as falas da coluna que abordam a dramaturgia e a atuação das atrizes. Ao mesmo tempo que é necessário abordar a estrutura do teatro de revista, em que alusões sexuais e cenas musicadas sensuais faziam parte dos enredos, servindo como motriz para atrair público. Assim, o recorte para esta apresentação envolve uma seleção de trechos de “Escribas, Gabirús e Canastrões” em relação ao contexto do teatro de revista do período.

FABIANE DE CEZARO é atriz, produtora, mediadora de leitura, contadora de histórias e historiadora. Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História, na linha Arte, Memória e Narrativa, UFPR (2025); Bacharela em História - Memória e Imagem pela UFPR (2023); Bacharela em Artes Cênicas pela FAP (2012); com especialização em Contação de Histórias e Literatura Infantil e Juvenil pela FAMPER/PR (2014). Desenvolve projetos de incentivo à leitura desde 2012 contemplados em editais através de Leis de Incentivo com circulação em diversas cidades do Paraná. E, no teatro, é integrante da Inominável Companhia de Teatro (desde 2012) e do Grupo P.U.T.O. (desde 2018).

 A guerra também é delas:

a Primeira Guerra Mundial nas páginas da Revista Feminina (1914-1918) 

 

Comunicação: Jaqueline Bevilacqua Zamarchi

Esta comunicação é uma síntese da dissertação de mesmo nome em processo de conclusão, na qual busco analisar como a Primeira Guerra Mundial se fez presente na Revista Feminina. Em paralelo à eclosão do conflito na Europa em 1914, Virgilina de Souza Salles iniciou em São Paulo o jornal A Luta Moderna, que em 1915 veio a se tornar a Revista Feminina, um dos principais periódicos voltados ao público feminino no período. A revista que buscava levar as mulheres conteúdos alinhados aos ideais de feminilidade da época abordava temas ligados aos cuidados com o corpo, a casa, os filhos e o marido, além de contos, poemas e noticias que o corpo editorial considerava relevantes, entre elas a Grande Guerra. Abordando o conflito de forma direta e indireta, o periódico levou às leitoras seu impacto econômico, as alterações no cotidiano e a presença feminina no conflito. Citada em editoriais de abertura, artigos, colunas de moda e notas, principalmente após a entrada do Brasil no conflito e 1917, a Revista Feminina buscou construir aquilo que era aceitável ou não que as mulheres realizasses dentro daquele contexto.

Jaqueline Bevilacqua Zamarchi, graduada em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro, Campus Avançado de Coronel Vivida. É mestranda em História na UFPR pela linha de pesquisa Arte, Memória e Narrativa, na qual estuda a Revista Feminina e a Primeira Guerra Mundial no periódico.

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CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO

Abril de Memória e Riso: 99 anos de Gladstone Osório Mársico

e a verossimilhança das relações interétnicas (1958-1994)

 

Palestrante: Gláucia Elisa Zinani Rodrigues

No mês em que Gladstone Osório Mársico completaria 99 anos, esta palestra convida o público a redescobrir a força crítica e literária de sua obra. Ambientadas no contexto sociocultural de Erechim, suas narrativas satírico-paródicas revelam, com aguda verossimilhança, as complexas relações entre indígenas, nacionais e imigrantes. À luz da História Cultural e do conceito de etnicidade de Fredrik Barth, a pesquisa destaca disputas pela terra, espaços de sociabilidade, casamentos interétnicos e ecos do Nazismo e do Fascismo na região. Entre ironia e memória, o riso mársico emerge como instrumento de crítica social e reflexão histórica, reafirmando a atualidade de sua escrita e sua relevância para compreender identidades e tensões no norte do Rio Grande do Sul.

Gláucia Elisa Zinani Rodrigues é Pós-doutoranda em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Doutora (2024) e Mestre (2019) em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Possui licenciatura em Letras Português, Inglês e respectivas Literaturas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI, 2012) e graduação em História pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). É especialista em diversas áreas da educação e linguagens, com destaque para: Docência para a Educação Profissional e Tecnológica (IFES); Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Inglesa (Dom Alberto, 2021); Educação Especial e Inovação Tecnológica (UFRRJ, 2023); História, Estudos Linguísticos e Literários, Docência no Ensino de História, Libras e Educação Especial (Instituto Facuminas EAD, 2025); Tutoria em Educação a Distância e Linguística Aplicada e Ensino de Línguas (UFMS, 2025). Seus estudos concentram-se na análise de representações na literatura pós-moderna e nas interfaces entre Literatura e História.
 

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